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Concretismos

2 Jul

Hoje eu não queria escrever bem. Queria escrever muito.

Uma quantidade absurda que desfizesse todos os nós.

Esses nós que nos colocam diante de nãos. De objeções e impedimentos.

Hoje eu queria ser capaz de todos os argumentos que pudessem te convencer de que é melhor perto. Junto. Dentro.

Mas não consigo. Alguma coisa me embarga. Me impede. Essa coisa deve vir da liberdade. De saber que eu me sinto mais livre que você pra tudo isso.

Essas coisas que nasceram dentro de mim aos poucos.

Queria dizer que você está errado. Que se acorda dos sonhos ruins sempre. Mas que pra isso é preciso se permitir um sonho bom.

E que essa minha perspectiva é sua se você quiser. É um presente. Tenho bem mais de onde ela veio. E que ela é um meio de colorir a vida das pessoas de quem eu gosto.

Queria te explicar que era o seu sorriso que estava na minha cabeça. Tirando a minha cabeça de onde ela não deveria mesmo estar.

Que já há algum tempo é nisso que eu penso antes de dormir e depois de acordar.

Acho que por isso todos esses sonhos. Todas essas noites bem dormidas. Depois de tantos anos sem sonhar com nada. Ou pelo menos nada que valesse a pena lembrar de manhã.

Essa imagem que eu fotografei e que é sua. Essa imagem que eu gosto. Que eu colocaria num quadro e faria dela arte.

Queria te dizer que é tão rara a vontade. Que é tão raro o que é mútuo nesse mundo.

Que eu tenho me doado a vida toda pra quem só quer metade. E que ser inteira é o meu sonho. O meu desejo mais sincero e mais provido de propósitos.

E que a propósito. Nós não deveríamos desperdiçar chances.

Que pode ser um bom começo e o melhor desde o início.  Tantas coisas a dizer e só o espaço.

Tantas coisas que cabem no silêncio desses abraços que nos damos. Sem querer soltar. Sem querer partir.

E rir de tantas coisas. Fazer tudo ter mais graça. Bobagens, sonhos, desejos. Falar dos medos. Sem querer que amanheça. Ter a liberdade de ir e ainda assim querer ficar.

Queria te dizer que eu resisto muito. Finjo não ver o óbvio. Me faço de boba quando vejo a onda gigante me cobrir.

Fecho os olhos com vontade e penso com força em qualquer outra coisa pra me distrair. E essa onda me bate certeira e quase de repente, de tanto fingir.

Eu fiz isso muitas vezes desde que eu senti o seu primeiro cheiro. E que agora quando fecho os olhos é isso que eu sinto. O seu perfume invadindo a minha idéia de esconderijo.

Queria te dizer que eu insisto muito pouco. Que eu prefiro não atropelar o que você pensa e pondera enquanto deseja. Mas que cansei de fugir do fogo.

E dizer mais que tudo que eu não desisto nunca do que é mútuo nessa vida. E respondendo a sua pergunta, não. Não desisto de você.

Não gosto da idéia de perder tudo isso. Não me faz feliz como um vinho dividido em baixo da mesa.

Eu nem sei se você vai chegar aqui. Talvez nunca chegue. Ou talvez leve só o tempo certo pra chegar. Neste tempo eu vou escrever você pra mim todos os dias. Vou trabalhar na manutenção do querer platônico enquanto você mantém a distância segura.

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