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Encontro literário

15 Mai

A garota de uns 20 e poucos anos está sentada numa mesa. Ela toma um café e lê um livro. É um livro interessante, de um autor novo. Ela nunca tinha ouvido falar do tal autor até um amigo comentar com ela, uma semana atrás.

Ela está empolgada. Do início do livro até a página 48 ela já sofreu com intensidade e chorou.  Tiveram momentos em que ela riu.

Agora sentada no café alternava entre a concentração e algumas risadas. Estava numa parte em que se enxergava naquele livro como se ela mesma o tivesse escrito.

Enxergava também um homem que amou. De alguma forma aquele livro tinha uma conexão com as suas histórias.

Um homem de 60 e tantos anos está numa mesa ao lado. Ele tem um livro grosso e pesado nas mãos, mas não o lê. Ele presta atenção à moça. Na linguagem corporal dela enquanto lê o livro.

A garota começa a ter a sensação de estar sendo observada. E essa sensação se intensifica, até ela instintivamente olhar na direção exata do homem que a observa.

“É bom?”

“Oi? Desculpa… o que?”

“O livro… É bom?”

“É. É bom sim. Eu recomendo.” – Ela diz sorrindo.

“Ah. Obrigado.” – Com gentileza ele retribui o sorriso.

Ela volta para o livro. E ele abre o livro dele.

Ela segue lendo. Mais umas duas ou três páginas. Ele distrai-se um pouco lendo o seu volume de 780 páginas. Por algumas vezes mais ele olha e a vê sorrir com o livro. Ela não se desconcentra da sua leitura mesmo com todas as pessoas cruzando o saguão do aeroporto arrastando sua bagagem.

Ele fecha de novo o seu livro sem conseguir se concentrar e a observa ler um pouco mais.

Desta vez ela não percebe. Provavelmente aquele é o melhor trecho do livro.

Ele a interrompe:

“É um bom autor?”

“Não sei dizer isso. Pode ter acertado nesse e não ser bom nos outros.”

“E se ele só tiver um? Se torna um bom autor?”

“Se só tiver um tem um bom livro. Precisa escrever mais pra comprovar. Mas o cara tem estilo. E eu me identifico.”

“Hum. Então tem potencial.”

“Ah sim! Muito.”

“É uma pena.”

“O que?”

“Que ele tenha quase 70 anos e não vá escrever mais nada na vida.”

“O senhor o conhece?”

“Há quase 70 anos eu tento conhecê-lo. Mas a gente nunca chega a uma conclusão definitiva sobre quem é.”

Eu, gigante que vive…

3 Mar

Uma alegria incontida, sem ser euforia.

Uma serenidade, sem ser cômoda.

Eu sou a estante das minhas razões, com o coração como guia.

Eu dou bom dia à vida, e ela retribui.

Vivemos nós três. Eu, ela e o Gigante.

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