Arquivo | Sonhos RSS feed for this section

Primeira resolução de ano novo

14 Set

Sobre as paixões

Minha primeira resolução de ano novo é restritiva.

Eu diria “Eu não vou mais me apaixonar”.  Mas resolvi fazer diferente no ano que se inicia pra mim no próximo dia 22.

Resolvi que ao invés de afirmar categoricamente que não vou fazer algo, apelo pra neurolinguística positivista e afirmo que sim, eu vou me apaixonar.

Mas como o processo de paixão é complexo pra mim, resolvi também criar uma série de pré requisitos para que isso aconteça. Tornando possível assim que a negativa anterior aconteça e o meu foco permaneça onde deve estar.

Eu vou me apaixonar por um homem bonito e grisalho. De bom caráter. Inteligente e cativante. Que me faça admirá-lo pela postura diante da vida. E pelas boas conversas que ele vai me proporcionar.

Um homem que saiba tratar bem uma mulher e que preze pela lealdade antes de tudo.

Ele tem obrigatoriamente que ser vascaíno. Saber escrever e gostar de fotografar. Pode ter a profissão que for. Desde que tenha prazer no que faz e tenha como  hobby a fotografia.

Ele tem que me achar mais bonita que todas as mulheres do mundo. Como uma espécie de musa. Tem que gostar de ler os meus textos e ficar envaidecido quando eu escrever coisas pra ele.

Tem que ser fã incondicional de Dave Matthews Band. E dizer que lembra de mim quando ouve Crash in to me. Necessariamente as duas coisas mais sexies que ele já viu na vida seremos eu e essa música. Nesta ordem.

Tem que ser bom de cama e gostar de sexo tanto quanto eu. Tem que adorar fazer massagem e tem que gostar da que eu faço.

Gostar de ir ao cinema, ao teatro, museu, concertos, botecos e de sair pra dançar de vez em quando.

Topar um piquenique no Aterro e gostar da minha comida.

O sorriso tem que ser estonteante e os trejeitos de tirar o fôlego.

Nariz grande é fundamental. Tem que saber dar um abraço que para o mundo.

Gostar de gatos, pinguins  e baleias. Adorar viajar. Gostar de vinhos, dos meus amigos e da minha família.

Tem que ter química instantânea e o primeiro beijo perfeito.

Gostar de mim mesmo sendo uma italiana maluca e rir das minhas piadas.

Ter as manhas de bondage e kamasutra. Ser pateticamente bem humorado e deliciosamente ranzinza. Em momentos estratégicos.

Tem que ter pelo menos uma tatuagem e uma cicatriz.

Que consiga me jogar na cama com um braço.

E que queira adotar uma criança daqui a 8 anos.

Esse é o cara por quem eu vou me apaixonar. E só por ele, todos os dias da minha vida.

Sonhos com Piaf

27 Jun

É apenas um sonho.

Por ser sonho Piaf canta em todas as cenas.

O primeiro ambiente é um restaurante. Paredes vermelhas. A iluminação amarela e fraca dissipa levemente a penumbra. Ao piano um homem magro de bigodes finos toca concentrado com um cigarro no canto da boca. Equilibrando sem notar uma enorme cinza que parece pender para a esquerda. O homem do acordeão é robusto e sua bastante apesar de tocar o instrumento sem esforço aparente. Uma mulher pequena trajada com um vestido longo canta Piaf.

Ela poderia ser a própria Edith. A forma física e a estrutura do rosto lembram la môme.

Ella e Jack estão sentados a uma mesa próxima das grandes janelas cobertas por cortinas de tecido translucido. Todo ambiente parece antigo e meio empoeirado.

Mas o vinho é bom e a conversa entre os dois parece ter sido escrita antes de proferida. É uma conversa rápida e esperta. Empolgada como uma conversa entre duas pessoas que precisam expor ideais. Falam com a paixão de quem confessa sonhos. Ou ainda a verborragia dos planos individuais futuros de duas pessoas que se procuram e procuram dar sentido à vida inteira.

E como isto é apenas o relato de um sonho pode ser que encontrem algum sentido. Eu penso que se existe um lugar possível para encontrar sentido na vida, ou significados válidos para a vida, este lugar é o mundo intangível dos sonhos.

O jantar chega e os dois comem. Ella rouba coisas do prato dele e ri como se o que fizesse fosse algo proibido ou uma pequena arte de criança. Mas a maior diversão do jantar é dividir a sobremesa. Mesmo as sobremesas reais parecem ser feitas de ingredientes que foram sonhados por alguém.

O casal deixa o restaurante de braços dados. Andam meio trôpegos pelas vielas cobertas de paralelepípedos.

Ao se afastarem do restaurante a música que ouviam vai baixando.

Virando a esquina entram numa rua escura com prédios de quatro andares dos dois lados. Caminham pelas calçadas estreitas quando no prédio do centro da rua, no segundo andar, uma luz se acende. Uma bela mulher loira de cabelos longos e ondulados, recém escovados, abre a janela. Do apartamento sai o som de uma vitrola antiga.

Os dois podem ouvir o barulho sutil da agulha em contato com o vinil. E mais uma vez Piaf canta. Ela caminha meio trêmula. Jack pergunta se a moça sente frio. Ella sempre sente frio. Ele a abraça e continuam a caminhar. Conversando e sorrindo.

E como isso é apenas um sonho eu não consigo ter certeza sobre qual assunto conversam. Talvez sobre a vida que ela deseja ter. As coisas que pretende reinventar e tornar melhores. Talvez brinquem de adivinhar o que o outro pensa.

E em sonhos isso também é possível.

sonho 01

9 Jun

Sonhei com este homem esta noite. E o homem veste uma camisa verde.

Ele está sentado no meu sofá vermelho.

De repente eu estou na minha cama e durmo.

Durmo no sonho. E agora acordada acho um tanto estranho estar dormindo num sonho.

Em algum momento tenho a sensação de que ele partiu.

No sonho que tenho enquanto durmo dentro do sonho não o vejo mais no sofá.

Quando acordo no sonho ele está lá. Dormindo no meu sofá.

Deito-me ao lado dele e ficamos parados ali. Sem dizer nada. Apenas respirando. Juntos.

Respirando até pegarmos no sono.

Hoje quando acordei de todos os meus sonhos ele não estava lá.

Tive vontade de dormir de novo.

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 1.086 outros seguidores