Sobre as paixões
Minha primeira resolução de ano novo é restritiva.
Eu diria “Eu não vou mais me apaixonar”. Mas resolvi fazer diferente no ano que se inicia pra mim no próximo dia 22.
Resolvi que ao invés de afirmar categoricamente que não vou fazer algo, apelo pra neurolinguística positivista e afirmo que sim, eu vou me apaixonar.
Mas como o processo de paixão é complexo pra mim, resolvi também criar uma série de pré requisitos para que isso aconteça. Tornando possível assim que a negativa anterior aconteça e o meu foco permaneça onde deve estar.
Eu vou me apaixonar por um homem bonito e grisalho. De bom caráter. Inteligente e cativante. Que me faça admirá-lo pela postura diante da vida. E pelas boas conversas que ele vai me proporcionar.
Um homem que saiba tratar bem uma mulher e que preze pela lealdade antes de tudo.
Ele tem obrigatoriamente que ser vascaíno. Saber escrever e gostar de fotografar. Pode ter a profissão que for. Desde que tenha prazer no que faz e tenha como hobby a fotografia.
Ele tem que me achar mais bonita que todas as mulheres do mundo. Como uma espécie de musa. Tem que gostar de ler os meus textos e ficar envaidecido quando eu escrever coisas pra ele.
Tem que ser fã incondicional de Dave Matthews Band. E dizer que lembra de mim quando ouve Crash in to me. Necessariamente as duas coisas mais sexies que ele já viu na vida seremos eu e essa música. Nesta ordem.
Tem que ser bom de cama e gostar de sexo tanto quanto eu. Tem que adorar fazer massagem e tem que gostar da que eu faço.
Gostar de ir ao cinema, ao teatro, museu, concertos, botecos e de sair pra dançar de vez em quando.
Topar um piquenique no Aterro e gostar da minha comida.
O sorriso tem que ser estonteante e os trejeitos de tirar o fôlego.
Nariz grande é fundamental. Tem que saber dar um abraço que para o mundo.
Gostar de gatos, pinguins e baleias. Adorar viajar. Gostar de vinhos, dos meus amigos e da minha família.
Tem que ter química instantânea e o primeiro beijo perfeito.
Gostar de mim mesmo sendo uma italiana maluca e rir das minhas piadas.
Ter as manhas de bondage e kamasutra. Ser pateticamente bem humorado e deliciosamente ranzinza. Em momentos estratégicos.
Tem que ter pelo menos uma tatuagem e uma cicatriz.
Que consiga me jogar na cama com um braço.
E que queira adotar uma criança daqui a 8 anos.
Esse é o cara por quem eu vou me apaixonar. E só por ele, todos os dias da minha vida.