Vivo de retroceder tentando corrigir um erro que não se apaga. Não é um erro específico. São vários erros.
Quando me canso de tentar corrigir abandono. Deixo pra trás. E a vida segue como um projeto inacabado.
Sem reescrever. Um texto ruim se destina ao lixo. E esqueço de um dia ter escrito. Incalculáveis boas ideias perdidas com um erro de execução.
Eu e você. Eu e ele. Você e ela. Perdidos.
Se nós tivéssemos pensado um pouco antes de começar a escrever essa história o que seria diferente? Como você a escreveria se começasse agora? Como eu escreveria? Se simplesmente não tivéssemos escrito esta e sim outra. O que seria de nós. Quem seríamos?
Nossos planos de construir uma máquina do tempo e desconstruir histórias. Teríamos pensado nele um dia? Por outros erros que não estes?
Eu gostaria de manter alguns erros. Aqueles que me ensinaram algo. Sem medir o valor do aprendizado.
Se aprendi algo na nossa desconstrução foi a esperar. Ser paciente. Não sei se usaria da mesma forma toda a paciência aprendida. Arrependida? Não. Tempo perdido? Algum. Não todo. Acho que esperaria pra ver o que vem depois. Quem vem mais a diante. Manter distante o que me faz não pensar. O que não me dá a noção exata que as opções são tantas. E o meu medo de me perder em opções. Não ter reescrito. Não ter mastigado mais os meus erros como erros. Sem tentar apagar. Como prismas para novas perspectivas. E descobrir agora. Sentada sobre essa pilha de fios embolados e papéis amassados com as coisas que eu nunca reescrevi. Descobrir logo agora que é uma estupidez enorme não ter me dado opções.
Estou alisando os papéis. Alinhando a coluna. Desembolando os fios. Vivo desembolando fios. Os das tomadas, dos fones. Vivo desembolando os fios porque eu deixo que se embolem. Nem todo nó é cego. E pra todo nó cego tem tesoura. E pra toda história tem outra. Pra toda ideia tem várias versões. Pra nós milhares de opções.